BACURAU

August 24, 2019

 

Bacurau - Kleber Mendonça em momento Sam Peckinpah

 

Na última terça-feira (20/8), após a aguarda exibição em primeira mão de Bacurau, dirigido por Kleber Mendonça Filho (Aquarius, 2016) e Juliano Dornelles (O Ateliê da Rua Brum, inédito), nós do Luz, Câmera, Animação! acompanhamos a coletiva de imprensa da qual participaram, além dos diretores, praticamente todo o elenco do filme.

 

A primeira a chegar à coletiva foi a diva eterna e suprema Sonia Braga, que vive a personagem Domingas. Demonstrando simpatia ímpar e absoluta desenvoltura em relação à plateia composta por jornalistas, críticos e blogueiros ali presentes, a atriz nos demonstrou, com extrema maestria, o que significa ser o ícone absoluto da cinematografia e teledramaturgia brasileira. Enquanto aguardávamos a chegada dos demais convidados, ela entreteve e encantou a todos nós. 

 

Quanto à coletiva propriamente dita, os diretores falaram, em primeiro lugar, sobre sua relação construída após três meses de convivência com os moradores do pequeno município Pernambuco, carinhosamente por eles apelidado como "Bacurau" (espécie de pássaro noturno, hoje raramente visto) e sobre o óbvio sentimento de pertencimento e identificação que surgiu entre eles (equipe e elenco) em relação àquela comunidade.

 

Sobre o filme, polêmicas de ordem política à parte, trata-se de uma autêntica proeza em termos técnicos, nos brindando com planos belíssimos influenciados pela estética típica dos westerns norte-americanos. 

 

Em seu primeiro longa assumidamente de gênero, Kleber Mendonça nos apresenta algo realmente raro de se ver por aqui, ou seja, cinema de gênero propriamente dito, capaz de entreter combinando estética apurada e também muito conteúdo temático acerca de nossa própria realidade enquanto latino-americanos.

 

É preciso, porém, cuidado pra cairmos na fácil tentação de dizer que realizou um filme "tarantinesco", pois o fato é que ele, amparado por seu co-diretor, foi muito além disso, buscando influências e referências muito menos óbvias, tais como Sam Peckinpah (sobretudo Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia, 1974) e praticamente toda a obra de John Carpenter (Aterrorizada, 2011), do qual aliás, Mendonça é fã confesso.

 

Entreter com informação, conforme reafirma o próprio codiretor, Juliano Dornelles, no decorrer da coletiva: "Estamos aqui falando sobre um filme de gênero, portanto, realidade e ficção caminham de mãos dadas e se reafirmam no universo particular aqui criado"

 

Um deslumbre em termos técnicos e também muito revelador acerca de nossa própria realidade brasileira e portanto latino-americana. Eis o belo Bacurau.

 

 

 

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