A MALDIÇÃO DA FREIRA (The Devil's Doorway)

March 1, 2019

 

Um casamento inspirado entre

O Exorcista e a Bruxa de Blair

 

Desde o lançamento - e tremendo sucesso de bilheteria - o filme A Bruxa de Blair (Daniel Myrick Eduardo Sanchez, 1999) tornou-se praticamente um subgênero e foi copiado de todas as formas possíveis. Chamados de found footage, - que tem no italiano Holocausto Canibal (Ruggero Deodato, 1980) seu pioneiro -, são filmes com a famosa "câmera tremida" que simulam vídeos caseiros, quase sempre para utilizar a falta de recursos como linguagem.

 

Apesar do estilo desgastado por uma imensa maioria de filmes ruins, agora temos uma bela surpresa. Dirigido pela estreante irlandesa Aislinn ClarkeA Maldição da Freira utiliza do recurso de forma competente e inteligente.

 

O filme se passa na década de 60 e conta a história do jovem padre John (Ciaran Flynn), que vai com o padre veterano Thomas (Lalor Roddy) investigar o mistério de estátuas que choram sangue num convento que abriga mulheres orfãs, com problemas mentais e mães solteiras.

Enquanto o jovem padre está impressionado com os fatos e acredita na possível veracidade, o veterano é cético e crê que tudo tem uma explicação. Uma espécie de Padre Quevedo irlandês.

Tudo é registrado pela câmera de filmagem do padre John, que registra cada momento de forma quase científica.

O roteiro - escrito a seis mãos pela diretora com Martin Brennan e Michael B. Jackson - consegue manter o clima de suspense e superar as limitações de ter que colocar o tempo todo uma câmera em cena para registrar cada momento. É claro que se analisarmos friamente, sobra um furo aqui e outro ali, mas nada que comprometa. Afinal, se exigíssemos fidelidade absoluta dos filmes, quase nada se aproveitaria.

 

A diretora, apesar de estreante, também não faz feio na direção e consegue segurar o filme - que tudo aponta para um baixo orçamento - de forma competente, a ponto de tornar as limitações imperceptíveis para a maior parte do público. Ela consegue manter o clima de suspense que pouco a pouco vai se transformando em terror.

 

O elenco é eficiente, com destaque para Helena Bereen (Hunger, 2008), que interpreta a madre superiora. Aquele tipo rígido, misterioso, que não gosta das investigações dos padres, mas precisa suportá-los por estarem a mando do Vaticano.

A Maldição da Freira é uma verdadeira aula de como se conseguir mais com menos. Apenas uma locação - que nem deve ser um convento de verdade -, pouquíssima iluminação - justificada pela lanterna do padre e luzes naturais do local -, direção de arte simples - já que os enquadramentos são, quase sempre, muito fechados -, e poucos atores. Quatro. Basicamente.

Uma bela mistura de suspense e terror, com claras influências de filmes como A Bruxa de Blair e O Exorcista (William Friedkin, 1974).
Vale o ingresso. Principalmente àqueles que fazem cinema e estão procurando melhorar suas técnicas e aumentar possibilidades.

 

 

 

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